Residômetro

Resíduo têxtil não é lixo, é matéria prima!


Várias ações vêm sendo realizadas com o propósito de reduzir matérias primas têxteis destinadas aos aterros sanitários desde 2015 pela profª Francisca Dantas Mendes e seus alunos pesquisadores. Com o apoio de autoridades políticas, o projeto tem buscado contatos junto aos órgãos públicos do município de São Paulo com o objetivo de viabilizar seus propósitos. Sabendo que os resíduos descartados nas calçadas são, por circunstâncias, dos catadores, como possibilidade de geração de renda, foram desenvolvidas propostas para beneficiar a população em extrema vulnerabilidade social.

Reuniões com a AMLURB desde junho de 2017 e visitas ao transbordo da empresa LOGA, encarregada da coleta de lixo no município de São Paulo foram efetivadas no mesmo período. Esforços foram envidados para criar e realizar eventos e encontros atraindo a sociedade civil, associações e órgão públicos para divulgar as proposições do NAP SUSTEXMODA e discutir suas viabilidades.

Os participantes do NAP SUSTEXMODA decidiram criar o Residômetro, instrumento que visa publicar, a partir do dia 15/09/2017, os enormes volumes de resíduos têxteis acumulados diariamente nos aterros sanitários da cidade. Essa data, que inaugura o início dos trabalhos efetivos do projeto, parte de dados informados pela empresa LOGA com base em suas estimativas empíricas.

Assim, no dia 15/09/2017, a LOGA forneceu o volume médio aproximado dos resíduos têxteis coletados por dia. Foram 10 toneladas de roupas pós-consumo descartadas nas calçadas do bairro da Vila Maria, mais 36 toneladas de resíduos originados, principalmente, dos departamentos de corte das empresas de confecção de roupas dos bairros do Brás e Bom Retiro.

Assim, o Residômetro foi concebido e desenvolvido da seguinte forma:

  • Para o cálculo acumulado, foram considerados todos os dias úteis contados de 15/09/2017 até os dias de hoje.

  • De 15/09/2017 até 17/03/2020, foram computadas 36 toneladas de resíduos e 10 de roupas.

De 18/03/2020 a 30/11/2020, a LOGA avaliou que houve uma redução de 40% do material coletado em vista do confinamento da sociedade imposto pela pandemia da Covid 19. As empresas de confecção, conforme anúncio em suas portas, passaram a vender somente on line e por WhatsApp. Houve uma redução, mas a produção não parou e a Feira da Madruga (evento destinado a venda diária de roupas populares), do bairro do Brás não parou de funcionar.

De 01/12/2020 até os dias atuais, a informação é de que a redução, em relação aos dados iniciais, foi de 15%, indicando uma recuperação parcial das atividades do setor têxtil local.

A partir de 25/05/2021 os dados atualizados pela LOGA revelam que são coletados diariamente, pelos caminhões, 20 toneladas de roupas pós-consumo e 35 toneladas de resíduos.

Fonte: Loga Coleta Seletiva e profª Francisca Dantas Mendes

A World of Textile Recycling - UK (2012)

https://youtu.be/CKbxSRjldpw

Existe em São Paulo um grupo de pesquisadores da USP que criou uma iniciativa voltada para soluções definitivas relacionadas aos resíduos têxteis. A plataforma coleta dados sobre descarte de tecidos e possui projetos sociais que formam artesãos que utilizam sobras têxteis para confeccionar peças como bolsas, tapetes, almofadas e outros produtos.